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12:47 PM


Anjos que choram

Entre quatro frias paredes
Cela solitária
Aqui apenas mais jovens corpos
Unidos não só pela dor
Mas pelo querer
Ser livre era ser morto
Viver calado
Para nós não é vida
Sobrevivência para muitos
Para os fracos
Surdo pelos gritos
Um querer de respostas
Entre a dor e o sangue
Durante choques
Por toda a fase de temporal
Aqui no céu
Que chorava por seus filhos
Mortos, esquecidos, sumidos
Durante toda a minha estada no inferno
Lutei pela vida
Não apenas por ela
Eu queria poder voar
Mas queriam cortar minhas asas
Por isso esse pássaro morreu
Como muitos
Mas a liberdade brotou por nossas mãos
No escuro jardim do Brasil
Em troca de muitas vidas
Depois da chuva vermelha
Mas há ainda hoje
Os anjos que choram
Por que as marcas são profundas
E nunca serão esquecidas


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6:33 PM


 Vampiro de Alma


Tempo de buscar o sono e as horas que se perderam
Em cada morte que causei
Perdi um pouco da minha lucidez
E agora cada dia enlouqueço mais
A noite chora sempre que me encontra nas esquinas
De beijos partidos
Vendo meu corpo prá comprar uma nova alma
E nunca atinjo o preço
Porque a perco antes que possa sequer sentí-la



Vampiro de alma? E qual não é?
Pior que buscar o sangue que corre em veias cobertas
É devorar almas em corações cobertos
Se pudesse, por um momento, saber
Que devorando uma alma eu poderia sentir novamente
Todas as coisas que podem ser sentidas
Eu as teria de bom grado
Mas o alimento que me alucina
Não é outro senão aquele que me faz matar
A morte é tão corriqueira
Que já a tenho como condição de meia vida sem nenhuma noção de espaço
Ou de tempo



Meus passos descem a escada novamente
A rua me chama porque sabe que eu dependo dela
Nem a chuva, nem o frio
Conseguem me tirar a ira crônica
Ao contrário, a chuva molha meus cabelos
E deles escorrem desespero
O frio congela minhas mãos
E delas faço nascer o sono
E nesse caminho mórbido
Faço o sangue alimentar as calçadas
Faço corpos tombarem entre os esgotos
Faço a neblina me envolver em seus abraços tórridos
E me despeço da sanidade
Mais uma vez
(por Virgínia Queiroz)




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