| Não tenho mais coração, não tenho mais alma... Apenas vivo |

Nome: PABLO
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    The Cliff of Suicide

    Domingo, Janeiro 29, 2006


    As unhas do demónio



    Há muitos anos, em Ponte de Lima, morreu um escrivão com fama de ter um pacto com o diabo. Toda a população recusou-se a enterrá-lo e acabaram por ser os frades do Convento a fazê-lo. Na noite seguinte ao funeral, à meia-noite, bateram à porta do convento. Era um velho monge bem vestido, mas que escondia sob uma capa uns pés-de-cabra (símbolo do Demónio). O velho cravou as unhas na sepultura do escrivão e arrancou-a. Depois, subiu pelos céus levando o corpo consigo e deixando um vento diabólico...


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    Segunda-feira, Janeiro 09, 2006



    A MORTE PEDIU DESCULPAS

    Andando na beira da estrada voltando para casa depois de perambular pelo centro do Rio distribuindo meu livro,olho pra trás vejo um carro preto que não me lembro a marca,até ai nada de anormal mas quando esse carro passou por mim em alta velocidade dois caras loiros colocarama cabeça do lado de fora e gritaram: MAGRELO! VIADO! o ódio tomou conta de mim,todos os piores sentimentos vieram a minha mente enquanto o carro se afastava rápido,isso é um dos atos mais covardes da sociedade,só comparável a carta anônima e ao trote telefônico, se o carro enguiça ali naquela hora daria muita porrada nos ordinários;a estrada onde seguia tinha uma lombada logo a frente apesar de ser uma reta,o carro desapareceu rapidamente alguns segundos depois aconteceu um estrondo lá na frente após a lombada, apressei o passo tentando ver o que aconteceu a cena que descortinou a minha frente foi assustadora ao longe vi o carro preto completamente destruído, tinha batido de frente com um corsa azul,já dava para ouvir os gemidos um quadro de horror, me bateu um remorso por ter desejado que algo ruim acontecesse com aqueles caras e realmente aconteceu mas foi uma fatalidade,no carro deles o motorista já estava morto e os jovens presos nas ferragens agonizavam ensanguentados,me aproximei para ajudar e quando eles me viram seus olhares me passavam um misto de dor,agonia,desespero,medo e fragilidade ao passo que meus sentimentos eram um misto de tristeza,ódio e remorso;tentei tira-los de dentro do carro um deles pegou na minha mão e apertou me olhando fixamente da mesma forma,quando ao longe se ouviu as sirenes do socorro já era tarde...



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    Quinta-feira, Janeiro 05, 2006


    A Maldição da Vida Eterna
    Sentado sobre a fria lápide daquele túmulo, no cemitério, durante a fria noite de outono, o Demônio, diante de mim, contou-me a seguinte história. "Logo após existir o Céu e o Inferno, presenciei a vida do homem sob a Terra, desde os tempos mais remotos e imemoriais, ele -- o homem --, buscou de várias maneiras, com feitiços e poções milagrosas, a dádiva da Vida Eterna, que até hoje, nunca fora alcançada por qualquer mortal. Dádiva que somente Deus e Eu -- o próprio Demônio -- podemos conceder-lhe tal poder." "Certa meia-noite, um homem veio à mim, pediu-me com toda cordialidade que lhe desse o poder da Vida Eterna. Em troca de tal, ele me daria sua alma. Certos segundos, permaneci calado, espantado. Nenhum ser mortal, em toda minha longínqua vida, me fez tal proposta. Quando a aceitei. O pacto estava feito, sua alma em troca do imortal poder. Quando o homem me falou: - Como o Demônio é idiota! Vou lhe enfrentar, e jamais morrerei. Serei o verdadeiro Demônio, serei mais perverso e mal que você! Após tantas injúrias, nada fiz. Pois minha vingança seria, lenta, eterna, e mais perversa do que ele poderia imaginar" "Certo dia, quando este mesmo homem passava pelas ruas da cidade moderna, fiz com que um caminhão o atropelasse violentamente. O homem, estendido no asfalto quente, com as costelas esmagadas, os braços quebrados, encharcado pelo sangue que lhe jorrava pelas veias dilatadas e pelos brutais ferimentos, ainda se mexia. Realmente ele tinha o poder da Vida Eterna. Ao se levantar grotescamente do chão, já cercado por inúmeros, espantados e curiosos mortais, o homem começou a caminhar sem rumo, sendo rejeitado por todos que cruzavam-lhe o caminho. Sangue brotava de feridas abertas que lhe predominavam a pele, apresentando a todos um aspecto extremamente horrendo, sem poder sequer falar, apenas gemer em agonizante dor. Até parecia ser coisa do Demônio, sussuravam baixo os mortais curiosos, rejeitado por todos, coberto pelo próprio sangue, o homem sofria, eternamente em profunda dor, mas sem morrer jamais."



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